Uso de celular corporativo para envio de mensagens discriminatórias gera justa causa
A 3ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul-SP manteve justa causa aplicada a vendedor interno em virtude de troca de mensagens com insinuações sexuais em face de colegas do sexo feminino, ofensas graves a superiores hierárquicos, piadas de cunho racista e comentários depreciativos em relação a outros empregados. De acordo com os autos, as conversas foram realizadas por meio de aparelho celular corporativo.
A empresa teve ciência do diálogo durante um afastamento do reclamante, quando uma analista administrativa acessou o celular usado por ele e identificou as mensagens. Segundo a ré, em casos de ausência, a colega assume o atendimento a clientes. Na ocasião, a analista encaminhou o caso à gerência e, posteriormente, ao departamento jurídico, que opinou pela dispensa por justa causa.
Em depoimento, a profissional relatou que nas mensagens trocadas havia comentários sobre vendedoras do estabelecimento, chamadas por termos como "selvagem", "danada" e "pantera". Contou também que havia trechos que mencionavam a necessidade de um homem na residência da gerente da área, e a existência de comentário homofóbico acompanhado de foto de outro empregado.
Na sentença, o juiz João Felipe Arrigoni pontuou que "as conversas envolvendo o reclamante e outros colegas são totalmente incompatíveis com o decoro requerido em um ambiente de trabalho". Acrescentou que ficou comprovado que o diálogo ocorreu mediante utilização de celular corporativo. E, considerando a prova documental, que incluía mensagens e fotos que ensejaram a dispensa, e os depoimentos colhidos, avaliou que a parte autora praticou falta grave.
Citando jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o magistrado explicou que não se pode alegar que o teor das conversas seria protegido pelo direito à intimidade, pois ocorreram em celular de propriedade da empresa, ferramenta de trabalho, "em relação à qual o pólo empregador possui poder de ingerência, diferentemente do celular pessoal do trabalhador".
Pendente de análise de recurso.
Processo : 1000462-86.2026.5.02.0473
FONTE: TRT-2 (SP)
| Selic | Jul | 1,22% |
| IGP-DI | Jul | -0,86% |
| IGP-M | Ago | -0,22% |
| INCC | Jul | 0,61% |
| INPC | Jul | -0,01% |
| IPCA | Jul | 0,07% |
| Dolar C | 28/08 | R$5,1999 |
| Dolar V | 28/08 | R$5,2005 |
| Euro C | 28/08 | R$6,0303 |
| Euro V | 28/08 | R$6,0315 |
| TR | 27/08 | 0,1692% |
| Dep. até 3-5-12 |
28/08 | 0,6739% |
| Dep. após 3-5-12 | 28/08 | 0,6739% |